| Santa Maria Gasolina em teu Ventre! | |||
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querem qualquer coisa simples? Que tal dadaísmo aplicado ao rock? Ou noise rock literário? Ezra Pound e a loucura do leopardo buzinado? Hoje, como há quinze anos atrás, continua a ser dificíl qualquer tentativa de classificar o único álbum dos SMGETV! Metal a pingar. Melaço sonoro deslizando em camadas sobrepostas. Estridência abrasiva. Ferrugem em sublimação. No entanto, não se iludam: no céu desta paisagem irrespirável de enxofre colidem atmosferas mágicas e dele despenham-se torrões áridos de melodia. Como qualquer outra besta indomável, "Free-Terminator ou Falcão Solitário Sem Ser Distorção" ganhou cedo uma vida própria e escorreu da mesa de mistura, através dos amplificadores, revoltando-se contra os seus próprios criadores. Jorge Ferraz: ... a coisa entrou em delírio e exagero. Cheguei a meter mais cinco guitarras em cima, uma coisa doida. Foi uma maluqueira para misturar aquilo. A esse nível, perdi completamente o controlo da gravação. Nenhum dos dois (produtores - Ferraz e João Peste) deu conta do recado (...) Tive mesmo que me tratar em otorrinologia. A crueldade da criatura acabaria por se reflectir sobre a música moderna portuguesa ensombrando a vaga de bandas portuguesas que, durante a primeira metade dos anos 90, imitaram sem rasgo o noise rock dos anos 80. Em 1989, os SMGETV! já tinham tomado, momentaneamente, a camisola amarela, fugido do pelotão encabeçado pelos Sonic Youth e percorrido solitariamente geografias sonoras que, ainda hoje, caem fora dos limitados mapas musicais do rock. É urgente recuperar este álbum. (...). [ para mais informações, recorram ao excelente texto do Rui Catalão sobre este álbum publicado em "Os melhores Álbuns da Música Portuguesa 1960-1997" (Público/FNAC, 1998) ] FAMILY CAT / FÓRUM SONS, 2002 Os SMGTV! formaram-se em Outubro de 1986, como consequência de uma insatisfação em relação ao trabalho com os Bye Bye Lolita Girl. A formação incluía os músicos Jorge Ferraz, Vítor Inácio, Fernando Quaresma e Luís Coroado. Arranjaram uma sala de ensaios, material e disponibilidade para ensaiar todos os dias (excepto ao domingo) com a intenção de levarem até ao extremo algumas das ideias que já tinham desenvolvido nos projectos anteriores (Ezra Pound e Bye Bye Lolita Girl). Passado um ano participam no concerto de aniversário da Ama Romanta onde tocaram três temas. João Peste convida o grupo para gravar um disco mas não aceitaram pois sentiam que ainda não estavam preparados pois a situação musical ainda estava muito confusa. No ano seguinte voltam a ser contactados pela Ama Romanta. Estavam relativamente contentes com o trabalho que estavam a executar e decidiram registá-lo de forma a partir para outras coisas. O seu álbum de estreia foi editado em 1989. O alinhamento do disco é o seguinte: [Lado A Free-Terminator] 1 - Perfil distante; 2 - Ezra Pound e a Loucura; 3 - Neuro Mancer, Drugs & Cybergun, My Pornographic Beautiful Love; 4 - Era Uma Vez Um Preto Com sida (aids)!; [Lado B Falcão Solitário Sem Ser Distorção]; 5 - El Pasao; 6 - Os Nossos Presos Políticos Nunca Usaram Calças de Ganga...; 7 - Era Uma Vez Um Preto Com Sida (aids)!; e 8 - Love. Em 1990 ocorreram algumas alterações na formação do grupo: Sapo entra para o lugar de Fernando Quaresma e Tó Trips substitui Luís Coroado. O grupo perde a sua sala de ensaios e passam a rarear os ensaios. O grupo acabaria por terminar devido à insatisfação dos músicos. É editado a título póstumo o EP (sem título). Uma edição limitada e não comercializada que inclui os temas "Go West, Céline" (com a participação de Adolfo Luxúria Canibal), "Optical Ocean", "Optical Sunday Without William Burroughs" e "Freeway is a Philip K. Dick Tear". Outro dos convidados deste disco é o actor Carlos Rosário.
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DISCOGRAFIA
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