LULA PENA  

Lula Pena ouve sons e quer expressá-los através do seu corpo, tendo como instrumento uma voz; como o som do rio a tremer, da terra a respirar, do céu a crescer... Uma voz, um apelo da memória de alguém que ouve com os sentidos todos e quer revelar, naturalmente, as conversas secretas com o seu próprio coração; esse músculo vermelho e esponjoso, que sobrevive de irrigações constantes e vive de ritmos, ora mais lentos, ora mais rápidos.
Ela sente a idade da terra e o peso de tão grande dimensão, quer cantar as suas memórias mais antigas, quer cantar as raízes do mundo com a fatalidade de quem sabe que a vida é curta para tão longa viagem. Dar a voz ao canto da fatalidade. Da lonjura. Do destino. Da tragédia.
Phados - o nome escolhido para o seu primeiro disco editado, em 1998, na Bélgica - há um ano chegou a Portugal. Poucos ficaram indiferentes. Alguns surpreendidos. Muitos encantados de espanto. Todos os que passaram por este primeiro contacto ficaram, mais ou menos ansiosos, há espera dum futuro anunciado, porém incerto, por esta voz funda e afundada nas profundezas dos mistérios do corpo, ciente do pudor da Alma.
Musicalmente, pretende desenterrar (mexer!) na raiz do fado inventado por Amália, na raiz da música inventada por Caetano Veloso e Chico Buarque, na raiz da morna de Cesária Évora, nas raízes Populares de autores anónimos.
O caminho é muito longo e a vida muito curta, Lula Pena aceita a tragédia e quer protagonizá-la...Hoje lusófona, amanhã árabe, depois africana...E quem sabe se na lua encontrará o som do vazio e do silêncio que anseia e que acredita existir.
Este espectáculo persiste na descoberta duma identidade universal, através dos sons da música portuguesa, africana, árabe...
A fusão musical de raízes comuns e distintas, próximas e longínquas. Os desafios, os riscos e as metas, o culminar duma crença - a Terra mãe de todas as músicas ISTO É LULA PENA


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