FATIMAH X

Fatimah X é o nome porque se dá a conhecer, sob o formato de baladas ferozes ou pequenas sinfonias desajeitadas, um projecto de poesia electrónica para fantasmas, guerrilheiros, crianças e guitarras. Para a sua composição entram: máquinas digitais, com programações distorcidas; o ruído das guitarras, desesperadas à beira da dissolução ou da explosão; a sujidade e o acaso das palavras e das vozes humanas...
O que será então?, doutra forma?... Se calhar, baladas de electrónica feroz e pequenas sinfonias desajeitadas de no-wave noise-guitar! ou, ao contrário... etc! etc! etc!...

A imperfeição é condição necessária para a magia das transformações e da poesia.

De Fatimah X fazem parte:

Fatimah X (26 anos)

A mãe de dois gémeos biónicos (8 e 9 anos) que abandonou praticamente à nascença e sobre os quais apenas recebe, por correio electrónico, esporádicas informações não pedidas; agradam-lhe os ecos e os fragmentos circulares que tais notícias lhe proporcionam.
Reside actualmente no rochedo de Gibraltar.
A casa é um velho contentor de cargueiro de longo curso completamente sufocado por guitarras alteradas, estranhos artefactos sonoros electrónicos e computadores novos e velhos.
A casa está decorada com vasos onde orquídeas e tulipas se entrelaçam com fios de cobre de cabos eléctricos inutilizados.
Quase todo o tempo se constrói na manipulação competente e meticulosa & desajeitada e acidental dos artefactos que possui; o resto, é dado ao sono e à vigilância dos macacos e da terra, aguardando o evento que previu e deseja. O início da montagem da rampa de lançamento das naves que irão evacuar os humanos; então, suspirará!

 

"Baladas e poemas de electrónica distorcida para fantasmas e guitarras noise para crianças e guerrilheiros."
"Electrónica para fantasmas e ruído de guitarras"

El Kapitán Z (43 anos)

É o nome porque se dá a conhecer: um ex-capitão das tropas especiais guatemaltecas envolvido na guerra suja dos anos 80 do século xx; um ex-padre católico na Palestina dos anos 90; uma ex-criança que em Viena acompanhava o pai (romeno) exilado e recebia lições de Gyorgy Ligeti (de quem o pai era amigo).
Actualmente reside em Lisboa num 1º andar de um prédio solarengo, vela pelos
gémeos de Fatimah X, manipula guitarras baratas sugadas para dentro de um computador e aí transformadas e escreve todos os poemas que consegue agarrar.

Dansi Neve (19 anos)

A funcionária de uma operadora de telecomunicações que, diariamente, ao entrar ao serviço, aceita ser teletransportada para o ano de 1953 em Portugal. Objectivo: fazer escutas telefónicas.
O corpo belo e quente, a mente risonha e o coração distraído que se oferecem para serem inoculados com estranhos vírus desenvolvidos em silenciosos e repousantes laboratórios.
Objectivo: experimentar todo o tipo de mutações e entreter os fins de semana.
O solitário falcão que, todas as noites, vasculha os caixotes de lixo da cidade, à procura de excertos, rascunhos e esboços de poemas deitados fora; foi assim que conheceu os poemas aos pedaços de El Kapitán. Objectivo: cantar quando lhe faltam as palavras.
Planos para o futuro: ser mãe.

 

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