QUINTA: 12/11 22H30 | “WARM UP BLACK BASS – ÉVORA PSYCHEDELIC FEST”: GHOST HUNT + GANSO + A BOY NAMED SUE & MARIA P DJ SET

Ghost Hunt

Ghost_Hunt_news

 

“Há três inovações tecnológicas que provocaram outros três grandes impulsos na música popular: a guitarra eléctrica, as técnicas de gravação em multipistas e os sintetizadores.

Ao apoderar-se da tripla herança guitarra-sintetizadores-engenharia-de-som, Pedro Oliveira chama a si muita da história do pop-rock, e faz isso com a veemência de quem a submete a um processo de fusão nuclear – qualquer coisa como “Phil Spector goes noise!” Ghost Hunt é ruído feito com muitas máquinas, mas é ruído feito com paredes e paredes de som meticulosamente combinadas. Paredes essas que revelam ser linhas melódicas, que podem ser curtas como jingles ou longas como cantos de baleia. Essas linhas melódicas difundem-se umas nas outras como o fluxo das ondas num mar agitado.
Com Pedro Chau a servir-lhe linhas de baixo muito tensas e ásperas (Chau é baixista do grupo punk The Parkinsons), Pedro Oliveira instala em palco um estúdio de som. O equipamento está disposto em U, e no interior desse U músico, operador de som e arranjador fundem-se num só corpo.
Para um ouvinte com carinho por etiquetas, a primeira referência a que imediatamente associamos Ghost Hunt é a bandas como Kraftwerk, Harmonia, Cluster, Neu! A razão é menos estética do que operativa: há no modo de tocar dos Ghost Hunt uma grande afinidade pelas técnicas de assemblage da geração do Krautrock. Algum do equipamento que usam foi criado nessa época. De resto, a sua maquinaria é quase toda analógica. Não podemos ignorar também o percurso da dupla em bandas de guitarras (os dois Pedros são de Coimbra. O facto de se reunirem quando já nem vivem na mesma cidade ilustra bem a importância da cena de Coimbra, que gerou os músicos mais inovadores e obcecados do país.) Temos de fazer marcha atrás por muito daquilo que os formou, acima de tudo a música dos anos 80: o som “shoegazer”, a tecno de Detroit, o acid, o electro industrial, o synthpop, e, lá mais para trás, as primeiras bandas de heavy metal, o punk, o rock psicadélico, o garage rock. Mas este arsenal de correntes estéticas, na praia de Ghost Hunt, dissolve-se em rochas sedimentares e areia muito fina. A música está nas ondas. Na zona de rebentação.
A produção musical é um constante vai-vem entre manipulação e pureza expressiva, entre engenho e inspiração. Entre imitar para chegar a algo novo e improvisar livremente até embater numa referência antiga. Há uma década atrás, Pedro Oliveira formou com JP (outro Pedro, outro músico vindo de Coimbra) os Spider e depois Blarmino. Passou então por uma série de metamorfoses em que se reconhecia a nostalgia pelos anos 80: da tecno com guitarras para o electro com guitarra e baixo. Mas já então podíamos identificar a sua marca de estilo: som denso, psicótico, ritmo agreste, melodias encantatórias.
Em Ghost Hunt já não se trata de estar entre uma coisa e outra, a fundir estilos ou géneros. Também não se trata de fazer disparar sons e efeitos previamente preparados – são fabricados à nossa frente, no acto de execução. Podemos assistir à sua construção, como tudo se ergue e volteia pelo espaço.
A música conta a sua própria história: como se faz: que relação é estabelecida com as ferramentas disponíveis. É uma fábrica de sons vivos a engendrarem delírios de viajante. Visitamos um laboratório de memórias psicotrópicas, com infinitos jogos de dança, jogos de quero-mas-não-toco, e uma multidão de diálogos e juras de amor às camadas geológicas da música. Viajamos dentro do som. Às vezes até julgamos reconhecer algo familiar, que nos fascinou há muito, muito tempo – mas fomos apenas surpreendidos pelo fantasma da música a ser caçado à nossa frente.”

Texto de Rui Catalão

Foto de António Bernardo

Swallow End | Space Race | Port Cities | Bandcamp | Facebook

Ganso

Ganso_newsGanso é um conjunto de cinco rapazes lisboetas com jeito para a festa e uma das mais recentes surpresas musicais da cidade. Basta imaginar o krautrock alemão dos anos 70 no forno com o blues psicadélico dos Doors. Banda sonora de caçadores.
Com o EP de estreia cá fora em Outubro de 2015, saído da mesma fábrica que viu nascer BISPO, Modernos e El Salvador, já começam a dar nas vistas com as passagens pelo Festival NEOBUZZ, Damas Bar ou Tokyo Lisboa.

Pistoleira | Bandcamp | Facebook

Entrada: 4€.

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